quinta-feira, 10 de junho de 2010

Entrevista com o futuro governador do Mato Grosso, o ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB)

HUGO FERENANDES Reportagem Local, da Folha do Estado

Wilson acusa Mendes de enriquecimento ilícito Tchelo Figueiredo
Wilson planeja mudar a política de incentivos fiscais

O ex-prefeito de Cuiabá e pré-candidato ao governo, Wilson Santos (PSDB), quer mudar a política de incentivos fiscais, caso seja eleito no próximo pleito. Ele acusa o atual governo de privilegiar ‘amiguinhos e apadrinhados’ e insinua que o empresário e também pré-candidato ao governo Mauro Mendes (PSB) teria se beneficiado com o programa.. “O que não queremos é gente desviando recursos de incentivos fiscais para adquirir apartamentos em Miami ou Paris. Para comprar helicópteros, lanchas e iates”.

Ele fala sobre os planos de governo, a preparação de Mato Grosso para a Copa, critica o ex-governador Blairo Maggi (PR) sobre a promessa de redução do ICMS que não foi cumprida.

Folha do Estado – Como está a aceitação do candidato Wilson Santos no interior do Estado?
Wilson Santos – Boa. As pesquisas mostram isso. Há um sentimento de renovação, de alternância no governo. Eu sinto isso desde o ano passado. E cada vez que passa esse sentimento cresce. Há um ambiente simpático a uma vitória da oposição no Estado.

Folha do Estado – Existem pesquisas que apontam que o pré-candidato Silval Barbosa (PMDB) figura em primeiro lugar. Algumas, que o outro opositor, Mauro Mendes (PSB), está na frente nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, que são os maiores colégios eleitorais do Estado. Como o senhor avalia isso?
Wilson Santos – Primeiramente, pesquisa para governador só vale se abranger todo o Estado, afinal a eleição é estadual. Com certeza vai ser uma eleição difícil, decidida no segundo turno. Não tenho preferência por oponente. Eu não escolho adversário para o segundo turno. Mas eu me preparei a vida toda para esse grande momento e nós estamos pontos.

Folha do Estado – O deputado federal Pedro Henry (PP) entrou em contato contigo na semana passada, para tratar sobre a questão do juiz federal Julier Sebastião. Ele o acusa de judicializar o processo eleitoral. Qual seu posicionamento sobre isso, uma vez que foi ele o responsável pela Operação Pacenas, que prendeu empreiteiros e paralisou as obras de saneamento do PAC na capital?
Wilson Santos – Eu encaminhei esse tema para nossa presidente regional do PSDB, a deputada federal Thelma de Oliveira. Eles são colegas de bancada na Câmara dos Deputados. Agora, eu não tenho nenhum ressentimento pelo que aconteceu. Não guardo mágoa de ninguém. Sou gladiador. Vamos seguir em frente.


Folha do Estado – O Ministério Público Estadual ingressou com uma ação civil pública acusando-o por ato de improbidade, devido ao vencimento do contrato com as empresas de transporte coletivo, que exploram o serviço em Cuiabá. O que o senhor pode dizer sobre isso?
Wilson Santos – Eu sempre respeitei o Ministério Público e continuarei respeitando. Essa licitação foi feita na gestão anterior à minha. Eu respeitei toda essa licitação. Anunciei que iríamos fazer uma nova. Caso o Poder Executivo queira, pode renovar por mais cinco anos. Mas nós já deixamos claro que não vamos renová-la. Já contratamos a Universidade de Brasília (UnB), que já está trabalhando o edital há meses. Daqui a algum tempo isso estará solucionado, atendendo ao pedido do MPE que coincide com os interesses da prefeitura.

Folha do Estado – Cuiabá sediará a Copa do Mundo em 2014. Quem for eleito terá a responsabilidade de prepará-la para receber o Mundial. O senhor pretende, caso seja eleito, mudar a diretoria da Agecopa?
Wilson Santos – Acho que ainda é cedo para falar nisso. Não é hora de dividir. É o momento de somar e apoiar a Agecopa. Nós queremos unir forças para preparar não só Cuiabá, mas Mato Grosso para receber esse grande evento que é a Copa do Mundo de 2014
Folha do Estado – Como andam as conversações sobre quem irá compor a sua chapa como vice?

Wilson Santos – Até 30 de junho, Cuiabá, Mato Grosso e o Brasil conhecerão quem será o nosso vice. Antes, eu desejo a toda a imprensa que não morra de angústia. Este é um assunto do Democratas e eu não opino sobre isso. A indicação será deles e o nome que eles trouxerem será homologado.

Folha do Estado – O empresário Frank Rogieri de Souza Almeida (DEM), de Alta Floresta, era um dos cotados para ser seu vice. Ele foi preso pela Polícia Federal no último dia 21, com a deflagração da Operação Jurupari. Ele continua sendo cotado diante disso?
Wilson Santos – Eu confesso que não o conheço. Mas vou respeitar a indicação. Esse cargo é deles e o que eles indicarem nós respeitaremos.

Folha do Estado – Como avalia a atual situação do PPS em Mato Grosso. O senhor acha que caso o presidente nacional do partido, Roberto Freire, sinalize o apoio ao PSDB, a sigla inteira o apoiará?
Wilson Santos – O PPS marchará conosco. Eu disse desde o início. Repito: o PPS está na aliança nacional e manterá a coerência partidária. Espero que o partido venha por inteiro, até porque eu não tenho veto a ninguém. Respeito a todos. Essa eleição vai ser muito difícil e nós vamos precisar de cada um.

Folha do Estado – Inclusive do deputado estadual Percival Muniz, presidente regional do PPS e grande opositor da aliança com o PSDB? O que o senhor pretende fazer para trazê-lo?
Wilson Santos – Propostas. Vamos propor um Estado mais humano, que seja capaz de enriquecer com uma distribuição de riqueza justa, equânime e equilibrada. Queremos um Estado que avance e corrija as desigualdades regionais e sociais. A única coisa que eu tenho para atrai-lo são nossas propostas, além da minha biografia e de meus companheiros. Eu não tenho nada contra ele. Pelo contrário, eu admiro sua biografia.

Folha do Estado – Uma das maiores críticas suas é em relação ao programa de incentivos fiscais do governo do Estado. O senhor pretende mudá-la?
Wilson Santos – Incentivos fiscais são uma ferramenta positiva. Vai ser mantida no meu governo. Porém, não para beneficiar amiguinhos e apadrinhados do governo. Nós faremos isso de maneira justa, equilibrada e transparente. Como Dante de Oliveira fez, quando em 1996 criou a cadeia produtiva do algodão, abrindo mão de dois terços do ICMS. Ele fez com que nós saltássemos de 4% para quase 60% do total de algodão produzido no país. Hoje chegam ao Estado indústrias têxteis, como a Vicunha. Ela recebeu incentivos fiscais da minha gestão, mas de forma transparente e correta. Logo, nós não somos contra esse programa. Até porque quem melhor fez isso foi o ex-governador Dante. Agora nós vamos fazer as correções. O que não queremos é gente desviando recursos de incentivos fiscais para adquirir apartamentos em Miami ou Paris. Para comprar helicópteros, lanchas e iates.

Folha do Estado – É muito divulgado que o ex-governador Blairo Maggi (PR) fez uma gestão municipalista...
Wilson Santos – Não sei não. Ele prometeu dividir o Fethab com os municípios e não fez. Não é isso que eu tenho ouvido no interior do Estado. Uma coisa é a propaganda, outra coisa é a realidade.

Folha do Estado – Mas o que o senhor acha da distribuição dos maquinários aos 141 municípios do Estado?
Wilson Santos – Olha... eu não quero comentar esse assunto, nem tirar proveito eleitoral desse tema. Não aproveitei a oportunidade para tirar dividendos eleitorais quando houve o cancelamento do concurso. E não vou fazer isso agora. Eu sou diferente. Você não me vê armando contra ninguém.

Folha do Estado – O senhor pretende lutar junto ao governo federal para conseguir um aporte maior do Fundo de Participação dos Municípios para as cidades mato-grossenses?
Wilson Santos – É preciso inverter o pacto federativo, para que haja mais recurso para os municípios. Afinal, eles são os verdadeiros burros de carga da nação, e eu sou municipalista.

Folha do Estado – O senhor pretende mudar a política de arrecadação de impostos do Estado?
Wilson Santos – Mato Grosso é o estado mais draconiano que existe. Em Cuiabá eu reduzi o ISSQN para alguns setores e melhoramos a arrecadação. É possível reduzir alíquotas e aumentar a arrecadação, tendo uma relação de parceria com o setor produtivo, muito diferente da atual. Por ironia, o empresário Maggi prometeu que aliviaria a carga tributária. Mas, disparadamente nas últimas décadas foi o governo que mais perseguiu o setor produtivo.

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